Quantas vezes você já proferiu essa frase para se referir a algo que lhe parecia impossível?
E eu, no auge dos meus 9 meses de gravidez, falo quase que toda hora essa frase, e foi o que fiz esses dias, numa pré faxina pré parto em casa. Foi tudo embora, fitas cassete, cartas que trocava em 1993 com fãs do Cranberries e da PJ Harvey pelo Brasil (era uma caixa respeitável e sem pó, acredite) mimos que precisavam de algum concerto e não iriam ser concertadas nunca, papelada da faculdade, comprovante de pagamentos, contratos vencidos, coleções que hoje eu nem sei dizer porque estavam no meu armário.
Mas como apego sempre existe, ficaram nessa “faxina” os livros e minha coleção de Revistas TPM!
Não preciso dizer que por conta de embalar todas os exemplares, a faxina não acabou no dia que deveria acabar, mas que me fez relembrar momentos importantes desses 98 meses de relacionamento!
Me lembro do primeiro contato com a TPM, estava na rodoviária da Barra funda, com uma amiga da época (que foi quem ficou com o primeiro exemplar com a capa das amigas na banheira que escolhemos juntas) tentando embarcar um monte de material político para um encontro de estudantes em Curitiba. Entramos na banca de jornal, habito cultivado até hoje, vimos a revista e pensando ser alguma coisa que falasse do feminino sem chamar a gente de burra, levamos!
BINGO! Devorei esse primeiro exemplar em 1 dia, me sentindo acolhida e mulher de verdade, uma moça que com 20 anos , não podia mais comprar revistas teen e nem se enquadrava nas matérias das clássicas revistas femininas do mercado.
No mês seguinte sim, nossa relação começou de verdade. A revista falava de uma série de assuntos interessantes e destacava em papel diferente a parte engraçada da revista, um Badulaque de coisas engraçadas que me fizeram passar das estações do metrô incontáveis vezes, sem contar as vezes em que larguei programas pra ficar eu, minha TPM e um suco bom, num canto tranqüilo da cidade, feliz.
E foi ai bem cedo que eu percebi que essa relação precisaria de algumas regras para acontecer, porque se a leitura durava 1 dia, eu tinha a partir dali 29 para me reinventar até que a nova edição estivesse na banca da Paulista em frente ao conjunto nacional para eu poder comprar, sim porque independente de onde eu esteja, 1 vez ao mês passo nessa banca e adquiro a minha!
Nossa relação ficou mais legal quando eu ganhei a primeira promoção da vida sendo um convite para o aniversário de 1 ano da revista! O único problema é que os convites chegaram 2 horas antes da festa e eu desprovida de locomoção, fiquei em casa brincando com a latinha de refrigerante que veio de presente.
O bom foram os 6 meses seguintes de assinatura, recebê-las antes da banda da Paulista era sensacional!
Nossa relação enfrentou alguns momentos críticos... 2 desempregos que não me permitiram comprar alguns exemplares, a inveja mortal das editoras convidadas e de querer ser 1 delas, o fim do papel especial do Badulaque para papel revista.
Os momentos mais legais? Ver o Rodrigo Lombardi no ensaio sensual que eu considero o melhor até hoje (por ser ele) Ter visto o Gael Garcia Bernal andar por São Paulo com a camiseta do Ramones com a qual ele estampa a revista, ter esclarecimentos com o Ronnie Von e uma das TPMs que eu mais li por me identificar com o mesmo momento da Leandra Leal, sem contar meus primeiros dias de gravidez e as primeiras dúvidas, re-devorei os exemplares sobre a questão de ser ou não ser mãe com tanta voracidade e mais uma vez, me vi e me percebi em uma das muitas mulheres incríveis que passam pela Revista.
Posso passar horas aqui dissertando sobre essa relação e como eu me construo com muitas das coisas que leio na TPM, mas minha fase final de gestação não me permite muito tempo sentada, mas pode ser que a Estela espere a edição 99 chegar as bancas, para que a mãe dela tenha o que fazer na maternidade entre uma mamada e outra.
Inté!